Depoimento de Gabriela Martins – #estudecomoumagarota

Começa agora a história inspiradora da @gabimartro, juíza do TJSP. Vale a pena conferir, garantimos que você vai se emocionar.⠀

“O roteiro para a aprovação em #concursospúblicos é tudo, menos linear. Os caminhos de fato se fazem ao caminhar e as ferramentas se intercambiam conforme o que se entende por funcionar. Sempre fui muito disciplinada e as longas horas de leituras e exercício não foram o maior desafio. Em meu roteiro, o mais difícil era pertencer.⠀

Sou mulher negra de classe baixa e o mundo em minha volta não me parecia um local em que me via juíza. Entrei na faculdade com esse sonho e deixei que ele se abafasse ao longo dos anos por não me enxergar nele. Me via assistente, me via advogada, mas juíza isso não poderia ver. O mundo tem formas sutis de lhe dizer que não e a falta de representatividade foi a negativa mais alta que tive. Por isso, deixei de sonhar.⠀

Passei a prestar inúmeros concursos de analista e técnico nos mais diversos cargos, dispendendo dinheiro e tempo que não possuía. Passei em alguns, fracassei em milhares outros. Uma amiga foi aprovada na magistratura e me disse que eu precisava tentar. Tive medo de acreditar de novo, medo que soubessem que eu iria ousar ter esperança. Um dia, lendo o livro “Na minha Pele” do Lázaro Ramos, li a seguinte frase: “por isso digo aos meninos e meninas com a origem parecida com a minha. Não existe vida com limite pré-estabelecido. O seu lugar é aquele em que você sonha estar”. Nessa hora, tive certeza de que seria juíza.⠀

Revisei meus gastos e estabeleci as privações que teria que passar. Estudava em todo e qualquer tempo livre que dispunha: horário de almoço, intervalo de fila de banco, enfim, qualquer migalha de tempo livre era uma fortuna. Fiz inscrição no primeiro e último concurso para magistratura que tentei: TJSP 187. Primeira etapa, passei! Segunda etapa, obtive nota máxima na dissertação. Sentenças, aprovada também.⠀

Era mais do que eu podia ousar sonhar. Na fase de inscrição definitiva, fui excluída do concurso, pois a banca entendeu que meu cargo de oficial de apoio judicial em minas não exigia conhecimento jurídico. Chorei um dia inteiro como se tivesse perdido alguém.⠀

Mas de fato tinha perdido uma vida toda que eu passei a acreditar que pertenceria. Me ofereceram ajuda e uma rede de amigos me deram os braços. Contratei uma advogada e com um procedimento de controle administrativo no CNJ fui incluída no penúltimo dia de arguições. Eu só queria ser ouvida. Eu só queria ser vista. Eu só queria pertencer.⠀

Duas semanas depois, sozinha na cozinha de casa eu chorava olhando a tela do celular: passei. Minha vida passou em minha mente como um filme e eu pude me ver no ponto que sempre quis chegar. E, assim, tudo recomeçou e tenho que escrever essa vida nova todo dia e nunca me acomodar.⠀

Espero que sua jornada seja exitosa, mas espero mais ainda que você valorize a aproveite o caminho e aqueles que caminham com você. Mantenha-se saudável e não se esqueça de seus amigos e familiares: a luta não vale sem eles. Como estudar? O que fazer? Aproveite as dicas que lhe dão mas escute aquilo que faz sentido para você. Não existe fórmula pronta e ninguém vai te salvar nesse processo.⠀

Lembre-se do porquê está fazendo isso e nunca deixe de acreditar em você, pois o seu lugar é aquele em que você sonha estar. “⠀

Por: @gabimartro.

#estudecomoumagarota

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