Compliance leader: O efeito multiplicador de uma liderança ética

Nestes tempos de impetuosos ventos de transformação dos negócios, por meio da modernidade e globalização, precisamos manter a nossa liderança numa ponte entre a necessidade do mercado e a potencialidade dos nossos stakeholders (colaboradores – clientes internos).

Redefinir e planejar de um modo que os caminhos da contribuição dos nossos colaboradores encontrem maneiras de jorrar o desempenho sem desvios de conduta, mas com princípios e valores, tornou-se um desafio para as organizações.

Como bem explica Ulrich Beck em livro “Sociedade de Risco” as fontes de perigos já não são mais desconhecimento, e sim o conhecimento, não mais uma denominação deficiente, e sim uma denominação aperfeiçoada da natureza, não mais o que escapa ao controle humano, e sim justamente o sistema de decisões e coerções objetivas estabelecido com a era industrial.

A modernidade acabou assumindo também o papel de antagonista – da tradição e ser superada, da força da natureza controlada. Ela é ameaça e promessa de isenção da ameaça que ela mesma gera.

Atualmente encontramo-nos rodeados pelos assoladores resultados da instabilidade, incoerência, inconsistência, da indecisão e da corrupção. Por isso que os riscos de desvios éticos causam inquietações nas empresas, pois a organização se vê, ao lidar com riscos, acareada consigo mesma.

O comportamento humano, em alguns casos, está em uma trajetória que vai levando à sua própria destruição. Assim, podemos, de fato, acreditar que por meio de uma liderança ética nos negócios – infra-estrutura mais eficaz e poderosa dos dias de hoje – realmente estabelecer uma cultura de Compliance na empresa?

Algumas empresas são relutantes ou incapazes de entender que uma liderança ética produz um efeito multiplicador de comprometimento com honestidade, pois, infelizmente, tratam as pessoas como “recursos humanos”, modelo e termo que precisa ser revisto e transformado, visto que recursos ou mercadorias (eletricidade, equipamentos, dinheiro, etc.), usados também para benefícios da empresa, podem ser esgotadas.

Mas, diferentemente de recursos, grupo de pessoas possuem capacidade de trazer miríades de recursos que representam uma radiação ilimitada de possibilidades. Essa radiação chama-se “influência”! Sem dúvida, podemos afirmar sem errar que liderança é influência, esta que pode ser para o bem ou para o mal.

Toda que vez influenciamos outra pessoa, estamos assumindo o papel da liderança. Portanto, para o discurso “Top down” ou “walk the talk”, a questão não se você é ou não líder. A indagação é: Você é um líder que multiplica ética? O fundamento da liderança não é o carisma; é o caráter[i].

A liderança é influência, e sem um conjunto de princípios e valores, torna-se vazia e incompleta. De acordo com Wagner Giovanini (2014, p.53) “A Liderança é um fator crítico de sucesso, pois dela depende o estabelecimento da direção a ser seguida e, mais do que isso, a conquista de adeptos na busca de objetivos comuns […]O mais alto grau na hierarquia da organização deverá ser o primeiro a querer, de fato, ‘ter o Compliance no DNA da empresa’. A partir dele, a cultura irá permear toda a companhia. ”

Nesse passo, verifica-se que um líder comprometido com a necessidade de criar um futuro ético é o propulsor da cultura de Compliance (dever de cumprir regulamentos) dentro de uma corporação. É extremamente importante que a liderança moderna não procure apenas sabedoria ou intelecto humano para enfrentar os desafios.

Precisamos de uma liderança que ressona “ÉTICA”, mantendo vivos princípios e valores entre os seus stakeholders , fomentando a reflexão e o comportamento ETHOS. “Nosso caráter é o resultado da nossa conduta”. Aristóteles


RICARDO FRANCESCHINI

Advogado. Sócio do escritório Franceschini Advogados. Pós-graduado em Direito Processual Civil; Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, bem como em Compliance e medidas anticorrupção. Diretor Administrativo do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA/PB). Presidente da Comissão de Sociedade de Advogados da OAB/PB (triênio 2012-2015).

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