Reunião de Advogados

Transformando Gestão Legal em Negócios – por Ricardo Franceschini

O atual cenário do mercado de prestação de serviços jurídicos no Brasil vem passando por mudanças constantes e aceleradas que, muitas vezes, tornam-se imprevisíveis, porque, infelizmente, alguns operadores da área estão desprevenidos quanto a modernidade e visão do futuro no que concerne ao tema gestão.

A constância de mudanças repentinas no mundo jurídico é apenas um dos fatores desafiadores das firmas de serviços profissionais, pois, hoje, por exemplo, os operadores de direito, precisam, além de demonstrar conhecimento técnico, também, de expertise na área de Gestão para defrontar os fatores caracterizados pela complexidade, competitividade, imprevisibilidade e volatilidade do mercado legal.

Esse novo cenário do mundo jurídico tem provocado atenção e busca incessante no alcance de níveis elevados de excelência na gestão, com escopo de atingir diferenciadas escalas de resultados na prestação de serviços e agregar valor compartilhado nos ecossistemas onde são realizados os serviços, para, por exemplo, atrair e reter clientes e parceiros.

Nesse passo, para enfrentamento dos desafios encontrados no mercado legal, os escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, bem como órgãos públicos (área jurídica), necessitam de uma evolução e incorporação de práticas da boa Gestão às suas agendas estratégicas.

Essa ampliação do mercado pela preocupação por uma gestão estratégica, apesar de ser um trabalho árduo, vem proporcionando o desenvolvimento dos serviços jurídicos no Brasil, introduzindo dentro dos escritórios de advocacia, departamentos jurídicos, órgãos públicos e auxiliares da justiça a implementação das melhores práticas de Governança Corporativa.

Governança Corporativa não é um sistema tão novo no mercado, mas para a Gestão Jurídica no Brasil podemos considerá-lo como um tema ainda em desenvolvimento. Válido ressaltar que o primeiro ensaio sobre Governança Corporativa teve início no mercado norte-americano, quando acionistas das maiores organizações de fundos de pensão, visando garantir a confiabilidade do negócio, decidiram participar efetivamente da gestão da estrutura, fiscalizando os seus executivos, com escopo de evitar descontroles e fraudes. Com a evolução desse sistema nas organizações, os valores das ações aumentaram em decorrência da confiança e, por consequência, contribuiu e vem contribuindo para o crescimento econômico daquele país.

Conforme o artigo publicado no site da Fundação Dom Cabral – FDC (www.fdc.org.br/pt/blog_sustentabilidade/default.aspx): “a revolução da governança é uma confluência de todas as outras. Até agora, foi descrito que as organizações tem sentido mudanças nos mercados, valores, transparência, tecnologia do clico de vida, parcerias e na percepção do tempo. Todos esses movimentos levam a uma reorganização da governança corporativa, incentivando as empresas a adotarem uma postura mais crítica com relação à sua própria existência e propósitos”.

Portanto, percebe-se que, diante de um atual mercado dinâmico, as estruturas dos serviços jurídicos necessitam ser coordenadas por meio de uma gestão estratégica em contínua mutação. Assim, a reunião de domínios da Governança Corporativa precisa estar intrinsicamente presente na Gestão Jurídica atual, exemplo: governança de administração, gestão de pessoas, gestão comercial, marketing, tecnologia da informação, entre outras, atuando na finalidade da responsabilidade corporativa, transparência, equidade e na conformidade com as regras (compliance).

Como bem expressou o gestor Mario Esequiel em seu livro Gestão Eficiente de Escritórios de Advocacia1: “Uma gestão estruturada é a base para a formação de um escritório competitivo nos dias atuais”

Uma gestão estruturada, conforme supracitado, possibilita maximizar sua competitividade nos mercados que atua, conduzindo os caminhos para um objetivo estratégico. Gestão estratégica é a arte de escolher os melhores caminhos!

O conhecimento sobre Gestão não se trata mais de um instrumento exclusivo utilizado por grandes organizações, essa ferramenta primordial vem para determinar e estabelecer um equilíbrio entre as demandas dos negócios jurídicos, de forma a alocar recursos de maneira a melhor atingir os resultados e metas esperados pelos operadores da Gestão Legal.

Assim, para influenciar o seu sucesso na Gestão Jurídica, consoante estabelece os especialistas na área de gestão estratégica, pelos menos 8 (oito) principais características são determinantes: 1) atuação global das organizações contemporâneas; 2) Proatividade e foco participativo 3) Criatividade e Inovação; 4) Aprendizagem Contínua ; 5) UENs – Unidades Estratégicas de Negócios; 6) Ênfase em alianças; 7) Sustentabilidade; 8) Alinhamento Estratégico

Diante das singelas considerações acima tecidas, concluímos que o negócio jurídico para avançar necessita de uma gestão moderna, organizada e estratégica, pois “a despeito de um passado ainda vigente, tornar visível o futuro que já se anuncia no presente2 é o meio para transformar a Gestão Legal em Negócios.

1 Esequiel, Mario Leandro Campos. Gestão eficiente de escritórios de advocacia. São Paulo: Saint Paul Editora, 2016.

2 BECK, Ulrich. Sociedade de Risco: Rumo a uma outra modernidade. 2. Ed. São Paulo: 34, 2011.


RICARDO FRANCESCHINI

Advogado. Sócio do escritório Franceschini Advogados. Pós-graduado em Direito Processual Civil; Especialista em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, bem como em Compliance e medidas anticorrupção. Diretor Administrativo do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA/PB). Presidente da Comissão de Sociedade de Advogados da OAB/PB (triênio 2012-2015).


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